Os fingidos da Educação Pública

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Quando se fala em educação pública no Brasil, todos fingem. E antes que você já comece a pensar “mas não é tudo assim”, já adianto: Sim, existem exceções, mas infelizmente a maioria dos envolvidos na educação pública são uns fingidos. E isto deve incluir você!

Os alunos são uns fingidos. Fingem que vão para a escola para estudar mas sequer levam os materiais escolares, não demonstram o menor interesse e o máximo que fazem é tirar foto da lousa.

Na sala de aula juntam as carteiras se dividindo em clãs temáticos: os que jogam baralho, os que ouvem funk no celular, os que dormem, os que ficam causando, gritando e incomodando os outros e um grupo dos que tem algum interesse e que não conseguem absorver nada em meio ao caos.

Sabem direitinho todos os seus direitos, inclusive o direito de não estudar e passar, afinal, a escola precisa bater a meta de alunos aprovados, nem que para isto inventem notas, inventem recursos para promove-los e sejam exageradamente generosos nas questões das provas. Estes jovens são mestres nos direitos que tem, mas se fingem de ignorantes quanto suas obrigações. Poderiam ser estudantes, mas preferem fingir que são.

Os pais são uns fingidos. Fingem que não sabem o papel deles na educação dos filhos e preferem terceirizar toda a responsabilidade para a escola. Entregam aos professores crianças e jovens que não tem a menor noção do que é respeito, responsabilidade e disciplina. Cobram dos professores, dos políticos e da sociedade aquilo que fingem não saber que é responsabilidade deles. São ótimos em cobrar, em fazer cena de preocupados com a educação dos filhos, mas preferem esperar dos outros aquilo que apenas eles deveriam prover.

Não participam de reuniões de pais, não cobram empenho dos filhos na escola, não dão exemplo e não dão nenhum incentivo. Seus filhos são sempre vítimas da escola, da política, da sociedade e da influência negativa dos amigos. Tratam seus filhos como incapazes e fingem que não tem parte alguma na formação do indivíduo que colocaram no mundo. Poderiam ser pais, mas preferem fingir que são.

Os professores são uns fingidos. Fingem que estão dando aula mas na verdade estão apenas jogando matéria na lousa para os 10% da sala que ainda tem algum interesse pela matéria. São obrigados a ignorar os 90% que ficam, durante a aula, envolvidos nas atividades de seus clãs.

Cansados de, sem sucesso, tentar colocar alguma ordem na sala, optam por focar nos 3 ou 4 da sala que querem aprender alguma coisa e, aos gritos, gastam 5 ou 10 minutos falando sobre a matéria, escrevem algo na lousa e esperam o sinal bater antes de surtarem ou serem agredidos.

Eles não escolheram ser professores para agirem assim, mas quando se depararam com a pior sala de aula do mundo, tendo de gastar 20% do tempo de aula para tentar colocar alguma ordem, resolveram jogar a toalha e fingir que estão dando aula para poderem dormir com alguma dignidade.

Outros optaram por serem professores de escola pública apenas pela estabilidade, sem terem absolutamente nenhuma vocação. Faltam e atrasam o máximo que podem, burlam perícias e forjam atestados para serem afastados. Como não podem ser demitidos e também não poderem dar aula, são remanejados para funções que não existe e que não tem absolutamente nenhuma atribuição. Recebem normalmente seus salários para fingirem que estão trabalhando. São parasitas que consomem preciosos recursos do estado para sustentarem sua incompetência, sabem que no competitivo mercado de trabalho privado estariam desempregados, e justamente por terem ciência de sua incompetência, optam por se encostarem nos pagadores de impostos, retirando recursos que poderiam fazer a diferença na vida de crianças que estão fadadas à miséria financeira, social e intelectual de suas famílias já desestruturadas por gerações. Poderiam ser educadores, mas preferem fingir que são.

Os políticos são uns fingidos. Fingem que o modelo educacional atual funciona ou que, pelo menos, não precisa de muito para melhorar. Para eles, tudo se resume a aumento de verbas, quando na verdade, toda a estrutura educacional está errada e, por mais dinheiro que seja injetado, nunca poderá prosperar sem profundas mudanças na estrutura, mudanças estas que não interessa a eles.

A cada ano que passa o Brasil cai no ranking mundial de avaliação de ensino. Dos 70 países avaliados em 2015 o Brasil se encontra na posição 63, isto porque a média foi puxada para cima pela educação privada no Brasil que, se apenas esta fosse avaliada, colocaria o Brasil na 30º. posição de 70 países, o que não seria nada mal, pois estaríamos próximos da Espanha, Rússia e Itália. Mas se avaliarmos só a rede municipal, por exemplo, o Brasil estaria em último lugar! Último!!!

Mas o que os políticos querem? Mais dinheiro! Claro, pois suas carreiras políticas são sustentadas por uma corja parasita que precisa do dinheiro do estado para sobreviver, e quanto mais verba eles tiverem na ponta de suas canetas, mais poder terão para manterem-se no poder.

Eles fingem que se interessam pela educação de “nossas crianças”, mas querem ter verba para poder ditar as regras, indicarem cargos para amigos e parentes que jamais irão trabalhar com empenho, porque o interesse deles também não é pela educação, são bons em fingir isto também.

O sistema educacional não foi feito para oferecer educação gratuita e de qualidade, foi feito para sustentar um modelo de criação de mão-de-obra barata (os alunos) utilizando-se de incompetentes e desinteressados (indicados políticos e os que só buscam estabilidade). Os políticos sabem disto e querem que isto continue exatamente assim, pois se fosse diferente, eles não teriam nenhuma vantagem com isto. Poderiam ser políticos que de fato fazem a diferença pela educação, mas preferem fingir que são.

A sociedade é fingida. Eu, você e todos os brasileiros somos uns fingidos. Dizemos que as crianças são o futuro da nação, mas deixamos a educação delas nas mãos de pessoas que estão totalmente desinteressadas em educa-las. Fazemos de conta que a educação não está tão ruim assim, enquanto pessoas com superior completo não sabem a diferença entre “mas” e “mais”. Temos uma educação tão fraca que precisamos de 4 brasileiros para produzir o que um americano produz, e o resultado disto? Renda baixa, até porque o salário de 1 precisa ser dividido por 4. Baixa produtividade, baixa competitividade e baixa noção social. Uma baixaria!

Fingimos que toda a solução da educação depende do estado, quando na verdade, depende muito mais das pessoas comuns, dos pais, dos alunos, dos professores, do que dos políticos. Somos peritos em terceirizar responsabilidades, afinal, fomos criados para sermos dependentes do estado e, infelizmente, continuamos perpetuando esta ilusão que só faz engordar os bolsos dos políticos às custas de crianças que crescem e são educadas para o crime, para o subemprego, para a miséria e para a eterna esperança de que o político irá tirá-la desta situação.

Você sabe que tudo isto é verdade mas tenta se convencer de que não é bem assim. Pare de ser um fingido e encare o problema de frente: A educação pública está falida e quem você está cobrando por mudanças nunca irá fazer nada efetivo para mudar, pois eles lucram com o modelo atual. Então pare de acreditar em políticos que prometem fazer mudanças na educação apenas com aumento de verbas, distribuição de mais coisas gratuitas ou dando algum benefício do tipo “me engana que eu gosto”. Se alguém aparecer dizendo que vai rever totalmente a estrutura de ensino, quem sabe ele merece ao menos ser ouvido, já os demais, rechace e mostre indignação.

Para termos uma educação pública de qualidade precisaremos mudar muitas coisas. Muito precisa ser discutido sobre isto, até mesmo se ter uma educação pública e gratuita é de fato a melhor opção. Existem muitas experiências interessantes sendo feitas mundo afora que precisam ser avaliadas.

Antes de avançarmos em qualquer discussão, é preciso nos despirmos de qualquer ideologia, de paternalismos, de estado-dependência e de vitimizações e encararmos que sofremos o problema, somos parte do problema mas, mesmo assim, fingimos que o problema não é nosso.







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