Borobudur (Java – Indonésia) – O Caminho para a Sabedoria

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Borobudur é o maior templo budista do mundo com mais de 1.200 anos de história. Localizado na ilha de Java na Indonésia, esta joia arquitetônica tem muito mais a nos mostrar além de sua beleza e magnitude, o seu propósito e seu formato revelam segredos que muito tem a nos ensinar.

Vista aérea do Borobudur

Não se sabe ao certo quem mandou construir este templo. Muitas evidências indicam que foi construído por volta do ano 800 d.C. e que levou cerca de 70 anos para ser erguido. Por volta do ano 1.000 ele foi abandonado, depois foi soterrado por cinzas vulcânicas e só em 1811 foi redescoberto, quando iniciou-se então um longo e árduo trabalho de restauração que aconteceu em diversas etapas sendo a última e mais importante etapa concluída em 1982. Em 1991 foi incluído pela UNESCO na lista dos Patrimônios Mundiais.

Gravuras esculpidas – Arquivo Pessoal

O Candi Borobudur, como é conhecido localmente, é um livro esculpido em pedras! O templo é uma pirâmide com escadarias que possui 3 níveis onde, em 2.672 gravuras esculpidas em relevo nas pedras, traz ensinamentos de como se obter a sabedoria e a iluminação. Vale lembrar que Buda significa “O Iluminado” ou seja, aquele que possui a sabedoria.

Animação destacando as ilustrações esculpidas

Animação destacando as ilustrações esculpidas

Por séculos, budistas peregrinos vinham dos lugares mais remotos para buscarem esta iluminação. O trajeto começava passando por outros 2 templos menores e culminava no Borobudur. Neste, eles tinham de percorrer todos os corredores do templo analisando os desenhos e ilustrações e aprendendo com as histórias ali narradas.

O templo foi construído de modo que, quem está na base, não consegue ver o que existe no topo. Acredita-se que isto foi feito de forma proposital para forçar os peregrinos a seguirem sua jornada sem saberem exatamente como seria o final dela. Para se conhecer o final de sua jornada, era necessário dar os primeiros passos, seguir degrau por degrau cumprindo um longo trabalho de reflexão e meditação.

Os níveis do templo

Cada um dos níveis possui um objetivo muito claro para este processo de purificação.

No primeiro nível o Kamadhatu o peregrino era levado a refletir sobre o Mundo dos Desejos, os prazeres da vida e as coisas que trazem apego. O próprio Sidarta Gautama, antes de se tornar Buda, passou por tais experiências e provações, e neste setor, o peregrino passa por uma longa reflexão sobre seus apegos e tentações no mundo.

No segundo nível o Rupajhana ele era levado a conhecer a história de Buda e como ele conseguiu superar e transcender o mundo se libertando de sentimentos e pensamentos mundanos em busca da sabedoria plena.

O último nível o Arupajhana seria o estado de nirvana. É o momento da libertação, quando a pessoa está finalmente livre e desapegada. Ela não tem mais sofrimento nem sentimentos ruins. É um estado de pureza, de sabedoria e de iluminação.

Vista do último nível – Arquivo Pessoal

No primeiro e no segundo nível as paredes são forradas de ilustrações e o formato da construção é retangular. Já no último nível não existe nenhuma gravura e o formato é circular. O objetivo disto é mostrar que nas duas etapas anteriores, ele precisou ficar confinado, centrado, no seu processo de aprendizagem e meditação, já no último ponto, ele entra num momento de contemplação. Aliás, a vista de lá de cima é incrível, realmente é uma sensação magnífica passar por estas gravuras e corredores apertados e, ao chegar no topo, se deparar com uma imensidão aberta, uma paisagem incrível e uma sensação de leveza indescritível.

No topo se encontram 72 budas colocados em estupas e uma grande estupa no centro vazia. As estupas são tão sagradas para os budistas como a cruz para os cristãos. As estupas são uma forma de representar um útero onde a pessoa passa por um processo de renovação. Como se em cada encarnação ela fosse renovada, aprendendo com a vida passada, e entrando em uma nova vida para novos desafios.

Estupas com Budas – Arquivo Pessoal

Embora eu não seja budista e não creia em coisas espirituais, não pude deixar de ver a beleza destes ensinamentos. Muitas vezes buscamos nossa satisfação em coisas momentâneas, nos apegamos a bens, objetos, dinheiro, prazeres, status e tantas coisas que não trazem a real felicidade. Quando percebermos que coisas são apenas coisas e conseguirmos nos desprender destes apegos, estaremos prontos para sermos plenamente felizes e teremos um melhor entendimento sobre as coisas que realmente importam na vida. Encontrar a felicidade além dos bens materiais, talvez seja o uma boa definição de sabedoria.

Borobudur – Arquivo Pessoal

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