Sarajevo (Bósnia-Herzegovina) – O tiro que matou 80 milhões de pessoas

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Todo mundo que gosta de história inevitavelmente tem uma quedinha pela 2ª. Guerra Mundial. Hitler, o Fascismo, o Holocausto, as Bombas Atômicas, são assuntos que despertam a atenção de qualquer pessoa e, de uma certa maneira, todo mundo conhece um pouco desta parte tão sombria e tão recente da nossa história. No entanto, poucos sabem que a 2ª. Guerra é na verdade uma continuação da 1ª. Guerra Mundial, e que tudo isto começou com apenas um único tiro em uma esquina em Sarajevo, e eu não pude deixar de ir até esta esquina e viver um pouco desta história.

A Europa estava fervendo! Era um barril de pólvora que dava sinais de que a qualquer momento poderia explodir. Políticas Imperialistas cada vez mais agressivas, brigas e concorrências comercias acirradas, alguns países insatisfeitos com a falta de colônias para explorarem, somado ao investimento em tecnologias bélicas cada vez maior, deixavam qualquer um que vivia na Europa no início do século XX com medo de que algo pior poderia acontecer. E aconteceu.

Entre vários impérios que lutavam entre si para expandir, existia o Império Austro-Húngaro que recentemente havia anexado a Bósnia-Herzegovina. Anexação esta que não deixou nada satisfeito alguns grupos que lutavam por um país eslavo unificado, o que tornaria a Bósnia parte da Sérvia e não da Áustria e Hungria.

Este grupo, ao saber que o Imperador austro-hungaro estava quase para morrer e que o herdeiro do trono iria visitar Sarajevo, capital da Bósnia-Herzegonia, resolveu planejar um atentado onde este herdeiro seria assassinado. E assim realizaram, mas na primeira tentativa, não deu muito certo. Soltaram uma bomba que pegou o carro errado, o terrorista que soltou a bomba tomou cianureto para se matar, mas acabou vomitando, tentou então se jogar num rio, mas o rio tinha só 12cm de profundidade e ele acabou sendo resgatado e preso. Um desastre total.

Placa na esquina onde o tiro ocorreu. Foto: Arquivo Pessoal

Mas se a morte do arquiduque não veio pela bomba veio por outro rebelde, o sérvio Gavrilo Princip, que ao ver o carro do arquiduque manobrando, se aproximou e disparou 2 tiros, sendo que um atingiu o arquiduque na jugular e o outro atingiu o abdômen de sua esposa, levando os dois a óbito horas depois.

A morte do arquiduque e herdeiro do Império Austro-Húngaro abriu uma oportunidade para os Impérios que queriam se expandir, ou que tinham vontade de controlar alguma área comercial, ou rever algum território perdido ou ainda conquistar alguma colônia, iniciar uma guerra um contra o outro, começando assim a Grande Guerra, como foi conhecida na época a 1ª Guerra Mundial.

A Grande Guerra terminou com a derrota da Tríplice Aliança fazendo com que a Alemanha amargasse o Tratado de Versalhes, diminuindo drasticamente seu poder militar, tendo de pagar uma dívida imensa com a França e deixando um povo ressentido e humilhado.

Ilustração do assassinato do arquiduque Francisco Fernando

Um jovem que lutou nesta primeira guerra não aceitou de forma alguma esta derrota. Ele queria ver uma Alemanha grande, forte e que tinha o direito de dominar o mundo, afinal eles eram a raça pura, superior e não merecia passar por tamanha humilhação. Este jovem, com seu discurso ultra-nacionalista, racista e populista, conseguiu reacender o orgulho alemão, aumentou seu exército e partiu para reconquistar o que foi perdido e tudo o que, segundo ele, era de direito da Alemanha. Este jovem, Adolf Hitler, liderou o início da 2ª. Guerra Mundial, e o fim dela todos nós sabemos.

Na primeira Guerra Mundial, foram cerca de 15 milhões de mortos, enquanto na 2ª. Guerra Mundial, foram cerca de 65 milhões de mortos, totalizando 80 milhões de pessoas que morreram por um único tiro, aquele que desencadeou toda esta barbárie, o tiro que atingiu a jugular do arquiduque Francisco Fernando e que, de uma cerca maneira, faz a humanidade sangrar até hoje.

 

 

 

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