Sal: Muito mais do que tempero

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Conhecer o Salar de Uyuni na Bolívia foi uma aventura e tanto. A jornada começou pelo Deserto do Atacama no Chile, passou por lagos incríveis, geisers, flamingos, banhos termais até chegar na maior reserva de sal do mundo, com 10 mil quilômetros quadrados, formando uma paisagem única e inesquecível.

O sal para os romanos

Utilizado para conservar alimentos e dar sabor à comida, o sal foi considerado uma dádiva de Salus, a deusa da saúde pelos romanos. Eles também tinham o hábito de colocar sal em vegetais para amenizar o seu amargor e chamavam isto de “salada”. Durante o Império Romano os legionários eram pagos com sal, importante moeda da época, o que deu origem ao termo “salário”. Os legionários eram os soldados do Imperio Romano, aliás o termo “soldado” significa “aquele que recebe o soldo”, sendo “soldo” o pagamento em sal.

Por ser de difícil extração e processamento, o sal era algo raro e valioso na Europa, sendo controlado como monopólio pelo Império Romano e, como citado, utilizado como dinheiro.

Salar de Uyuni – (Foto: Arquivo Pessoal)

O sal para os bolivianos

Enquanto o velho mundo utilizava sal como dinheiro o novo mundo tinha a sua disposição a maior reserva de sal do mundo, algo como ter uma cidade inteira de ouro e nem se dar conta do seu valor.

A quantidade de sal que existe no Salar de Uyuni é impressionante. São mais de 10 bilhões de toneladas de sal espalhadas em uma região equivalente a 7 vezes o tamanho da cidade de São Paulo. É tanto sal que os bolivianos o utilizam até mesmo para construção. Quando estive lá, pude viver a experiência de ficar hospedado em um hotel de sal onde o chão, paredes, mesas e camas, tudo é feito a partir de imensos blocos de sal da região.

Hotel de Sal – (Foto: Arquivo Pessoal)

Economicamente falando, o Salar de Uyuni possui a maior reserva de lítio do mundo e é um dos principais produtos de exportação da Bolívia com grande potencial de crescimento, afinal, todo smartphone, tablet, notebook e agora até mesmo automóveis, utilizam lítio na composição de suas baterias.

Paisagens

Quando desci do 4×4 e coloquei meus pés naquele piso branco de sal, reservei um tempo para poder apreciar aquela visão. Eu ficava girando e olhando o infinito e só conseguia pensar: Eu preciso registrar isto muito bem pois acho que nunca mais terei uma experiência tão incrível como esta.

Salar de Uyuni – (Foto: Arquivo Pessoal)

Além da beleza exótica marcada por uma planície quase infinita branca, a região possui algumas ilhas com cactos gigantes, que deixam o local ainda mais interessante. As principais ilhas são a ilha Pescado e a ilha Incahuasi, esta última onde vi o sol nascer e foi simplesmente fantástico.

Ilha Pescados – Ilha dos cactos gigantes – (Foto: Arquivo Pessoal)

Para irmos de um ponto a outro do salar o carro chegava a levar mais de 40 minutos, andando a mais de 100km/hora, e tudo o que víamos era uma paisagem sem fim.

Por conta deste fundo quase infinito, é possível tirar fotos incríveis brincando com a perspectiva, como a foto principal deste post.

O sal já foi moeda, conservante, tempero e é utilizado hoje até para fazer baterias. Mas para mim, nesta experiência, o sal mostrou uma nova função: Criar paisagens incríveis que registrei para sempre com a melhor máquina fotográfica do mundo.